(antes de mais, saltei a carta #2 porque não estava a conseguir escrever-la, mas irei faz-ela)

Foste embora para outro país quando tinha apenas 6 anos, quando ainda mal sabia ler, escrever, entender o que me tentavam dizer por meias palavras, foste embora e deixas-te uma reles carta que só à 4 anos li (tenho 14), foste embora e eu sempre te amei, sabes? E sentia inúmeras saudades tuas, que nunca disse a ninguém, ouve uma altura em que pensava muito em ti, em que chorava montes de vezes por não te ter, porque te amava e porque nunca me ligavas, porque tinha de ser sempre eu quando ia aos avós, porque tinha de ser eu a ligar-te quando chegava e quando ia embora porque tu nunca sabias, nunca te preocupas-te se estava bem, nunca ligas-te cá para casa a saber de mim (e se ligas-te, não me lembro e se ligas-te foi porque a avó te disse para o fazeres), nunca me perguntas-te pelas minhas notas, nunca te interessaste... Aos 9 anos comecei a ir ter contigo nas férias e tu nunca estavas lá, nunca tiras-te férias para estar comigo e comecei a não falar de ti, deixei de pensar em ti, deixei de chorar por ti, ganhei-te uma raiva que não imaginas, por me teres deixado quando eu mal sabia o que era ter um pai, por nunca teres estado presente e se hoje não falo de ti, se hoje sou fria, se hoje sou má, se hoje não confio nas pessoas, se hoje não consigo falar sobre o passado, se hoje sou como sou a culpa é inteiramente tua, porque à uns anos obrigaste-me a crescer de forma diferente daquela que queria, tive de mudar, tive de começar a ser fria para não sofrer por ti, e hoje digo que já me perdes-te à muito tempo e que nunca, mesmo que queiras, nunca me vais ter de volta, nunca, porque eu não te perdoo. Não te perdoo. Nunca te vou perdoar. Não te amo, não tenho motivos para te amar. E por mais que digam: "ele é teu pai, tens de lhe dar uma oportunidade", eu não quero e não consigo, sabes porque? Porque tiveste 4 anos para isso, depois de te teres ido embora, no tempo que eu ainda te amava. Agora? Agora quero-te longe. Não, nunca te vou perdoar
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Mãe:
Podia escrever um texto enorme, mas não vale a pena. Sabes que me orgulho de ti, sabes que não me consigo chatear contigo e nem sequer quero. Sabes que és tudo e mais alguma coisa, que mesmo que diga (como já cheguei a dizer) aqui no blogue, como noutros sítios que tinha outras pessoas que eram um mundo, um tudo. Sabes que gostamos das pessoas de diferentes maneiras, sabes que podemos pôr outras pessoas como "mundos" e "tudos" e não gostar delas da mesma forma ou tanto, quanto gostamos de outros "mundos" e "tudos". Obrigada por nunca me teres deixado. Mesmo estando aqui, em Inglaterra ou no Japão nunca me deixas-te e sei que não o vais fazer. Desculpa por não escrever um texto tão grande como o que escrevi para o
ps: (aquilo de Inglaterra e Japão era um exemplo.)
cartas*
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